sexta-feira, 19 de agosto de 2011
"Um quarto de hora" - Set 7"
Set 7 - Relação de músicas
"It´s bad for me" (Cole Porter). Rosemany Clooney & Benny Goodman Sextet (Benny Goodman cantando também/ also singing).
"Recuerdos de la Alhambra" (Tarrega). Miloš Karadaglić, violão/guitar
"Veni Sancte Spiritu" (Schoendorff). Cinquecento.
"Variações sobre a Cajuína, de Caetano Veloso" (Dimitri Cervo). Ronen Marczak, violino/violin. Christian Ruvolo, piano.
"Electric counterpoint version for percussion - 2 movement" (Steve Reich). Kuniko, percussão/ percussion
terça-feira, 2 de agosto de 2011
"Um quarto de hora" - Set 6
Em torno de quinze minutos de música clássica. Um toque de música popular. Vinhetas com sons brasileiros. Meus podcasts ficam todos armazenados em http://helofischer.podomatic.com
Set 6 - Relação de músicas
"Tico-Tico no fubá" (Zequinha de Abreu/ arr. Flausino Vale). Claudio Cruz, violino/ violin.
"Rambling on my mind" (Robert Johnson). Robert Johnson, guitarra/ guitar.
"Sinfonia N.40" (Mozart). Swingle Singers
Hedwig´s Theme (John Williams)
Canto Yanomami/ Indian chant from the Yanomamis
"A Hudson Cycle" (Nico Muhly). Nico Muhly, piano.
Set 6 - Relação de músicas
"Tico-Tico no fubá" (Zequinha de Abreu/ arr. Flausino Vale). Claudio Cruz, violino/ violin.
"Rambling on my mind" (Robert Johnson). Robert Johnson, guitarra/ guitar.
"Sinfonia N.40" (Mozart). Swingle Singers
Hedwig´s Theme (John Williams)
Canto Yanomami/ Indian chant from the Yanomamis
"A Hudson Cycle" (Nico Muhly). Nico Muhly, piano.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
"Um quarto de hora" - Set 5
Em torno de quinze minutos de música clássica. Um toque de música popular. Vinhetas com sons brasileiros. Meus podcasts ficam todos armazenados em http://helofischer.podomatic.com
Relação de músicas - Set 5
"Du meine Seele", de Pavel Karmanov. Músicos não creditados.
"DuOud arr. Matthew Barley: For Nedim (For Nadia)". Com Viktoria Mulova, violino. The Matthew Barley Ensemble.
Diálogo yanomami
"Quarteto de cordas N.3 - movimento 3", de Claudio Santoro. Com Quarteto Radamés Gnattali.
"Water rising", de Puzzle Muteson. Com Puzzle Muteson.
Relação de músicas - Set 5
"Du meine Seele", de Pavel Karmanov. Músicos não creditados.
"DuOud arr. Matthew Barley: For Nedim (For Nadia)". Com Viktoria Mulova, violino. The Matthew Barley Ensemble.
Diálogo yanomami
"Quarteto de cordas N.3 - movimento 3", de Claudio Santoro. Com Quarteto Radamés Gnattali.
"Water rising", de Puzzle Muteson. Com Puzzle Muteson.
"Um quarto de hora" - Set 4
Em torno de quinze minutos de música clássica. Um toque de música popular. Vinhetas com sons brasileiros. Meus podcasts ficam todos armazenados em http://helofischer.podomatic.com
Set 4 - Relação de músicas
"Valsa 2", da "Jazz Suite", de Shostakovich. Com Orquestra do Royal Concertgebouw.
Canto do xexéu de bananeira
"Cigarettes and Milk", de Rufus Wainwright. Com Quarteto Fauré.
"Dueto N. 2 em fá maior, BWV 803", de Bach. Com Francesco Tristano, piano.
"Rondó" do "Trio para oboé, fagote e piano", de Poulenc. Com Hansjörg
Schellenberger, oboe. Milan Turkovic, fagote. James Levine, piano.
"Cigarettes and Milk", de Rufus Wainwright. Com Rufus Wainwright.
Set 4 - Relação de músicas
"Valsa 2", da "Jazz Suite", de Shostakovich. Com Orquestra do Royal Concertgebouw.
Canto do xexéu de bananeira
"Cigarettes and Milk", de Rufus Wainwright. Com Quarteto Fauré.
"Dueto N. 2 em fá maior, BWV 803", de Bach. Com Francesco Tristano, piano.
"Rondó" do "Trio para oboé, fagote e piano", de Poulenc. Com Hansjörg
Schellenberger, oboe. Milan Turkovic, fagote. James Levine, piano.
"Cigarettes and Milk", de Rufus Wainwright. Com Rufus Wainwright.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
"Um quarto de hora" - Set 3
Em torno de quinze minutos de música clássica. Um toque de música popular. Vinhetas com sons brasileiros. Meus podcasts ficam todos armazenados em http://helofischer.podomatic.com
Em torno de quinze minutos de música clássica. Um toque de música popular. Vinhetas com sons brasileiros.
Esse podcast mora em http://helofischer.podomatic.com
Set 3 - lista de músicas
Vinheta na voz de Glenn Gould (trecho de "A Glenn Gould Fantasy")
"So you want to write a fugue?", de Glenn Gould. Com Elizabeth Benson-Guy, soprano. Anita Darian, mezzo-soprano. Charles Bressler, tenor. Donald Gramm, barítono. The Juilliard String Quartet.
"O voo do besouro", de Rimsky-Korsakov. Com Wynton Marsalis, trompete. Eastman Wind Ensemble.
Canto yanomami "Hutuyoma heã yarë" ("Balança roça")
"Prelúdio", de Gilberto Mendes. Com Fábio Zanon, violão.
Canto do curió Ana Dias
"Suíte orquestral para os Jogos Panamericanos Rio 2007 sobre temas de Tom Jobim, Chico Buarque e Villa-Lobos" (trecho), de André Mehmari. Com Orquestra Sinfônica Brasileira. Roberto Minczuk, regente.
"My heart belongs to daddy", de Cole Porter. Com Charlie Parker, saxofone. Walter Bishop, piano. Jerome Darr, guitarra. Teddy Kotick, baixo. Roy Haynes, bateria. Gravação ao vivo em 31 de março de 1954 em Nova York
Em torno de quinze minutos de música clássica. Um toque de música popular. Vinhetas com sons brasileiros.
Esse podcast mora em http://helofischer.podomatic.com
Set 3 - lista de músicas
Vinheta na voz de Glenn Gould (trecho de "A Glenn Gould Fantasy")
"So you want to write a fugue?", de Glenn Gould. Com Elizabeth Benson-Guy, soprano. Anita Darian, mezzo-soprano. Charles Bressler, tenor. Donald Gramm, barítono. The Juilliard String Quartet.
"O voo do besouro", de Rimsky-Korsakov. Com Wynton Marsalis, trompete. Eastman Wind Ensemble.
Canto yanomami "Hutuyoma heã yarë" ("Balança roça")
"Prelúdio", de Gilberto Mendes. Com Fábio Zanon, violão.
Canto do curió Ana Dias
"Suíte orquestral para os Jogos Panamericanos Rio 2007 sobre temas de Tom Jobim, Chico Buarque e Villa-Lobos" (trecho), de André Mehmari. Com Orquestra Sinfônica Brasileira. Roberto Minczuk, regente.
"My heart belongs to daddy", de Cole Porter. Com Charlie Parker, saxofone. Walter Bishop, piano. Jerome Darr, guitarra. Teddy Kotick, baixo. Roy Haynes, bateria. Gravação ao vivo em 31 de março de 1954 em Nova York
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Meus sets mixados "Um quarto de hora"
Comecei a mixar umas sequências musicais de aproximadamente 15 minutos, com clássicos, um levíssimo toque de pop e vinhetas.
É o podcast "Um quarto de hora", feito a partir do software Traktor - o preferido entre os DJs profissionais. Já fiz dois, disponibilizo ambos neste post. Comentários são sempre bem-vindos!
O endereço de "Um quarto de hora" é http://helofischer.podomatic.com. Lá, é possível se cadastrar pra receber as atualizações.
Set 1
"Trio Miniatura", de Radamés Gnattali, com Trio Brasileiro
"Mothertongue/ Hress", de Nico Muhly, com Abigail Fischer
Diálogo Yanomami "Wayamu"
"Kiss my name", com Antony and the Johnsons
Canto do coleiro capricho
"Il neige",de Henrique Oswald, com pianista José Eduardo Martin
======================
Set 2
"Triveni", com Rodrigo y Gabriela
Vinheta (Capoeira São Bento Pequeno)
"Concerto para violino e orquestra - 1o movimento", de Philip Glass. Com Gidon Kremer, Filarmônica de Viena e regente Christoph von Dohnanyi.
"Ohimé ch'io cado", de Monteverdi. Com Philippe Jaroussky, contratenor, e conjunto L´Arpeggiata.
"Anoiteceu", de Francis Hime e Vinícius de Moraes. Com Measha Brueggergosman, soprano, e Justus Zeyen, piano.
É o podcast "Um quarto de hora", feito a partir do software Traktor - o preferido entre os DJs profissionais. Já fiz dois, disponibilizo ambos neste post. Comentários são sempre bem-vindos!
O endereço de "Um quarto de hora" é http://helofischer.podomatic.com. Lá, é possível se cadastrar pra receber as atualizações.
Set 1
"Trio Miniatura", de Radamés Gnattali, com Trio Brasileiro
"Mothertongue/ Hress", de Nico Muhly, com Abigail Fischer
Diálogo Yanomami "Wayamu"
"Kiss my name", com Antony and the Johnsons
Canto do coleiro capricho
"Il neige",de Henrique Oswald, com pianista José Eduardo Martin
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Set 2
"Triveni", com Rodrigo y Gabriela
Vinheta (Capoeira São Bento Pequeno)
"Concerto para violino e orquestra - 1o movimento", de Philip Glass. Com Gidon Kremer, Filarmônica de Viena e regente Christoph von Dohnanyi.
"Ohimé ch'io cado", de Monteverdi. Com Philippe Jaroussky, contratenor, e conjunto L´Arpeggiata.
"Anoiteceu", de Francis Hime e Vinícius de Moraes. Com Measha Brueggergosman, soprano, e Justus Zeyen, piano.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Cinco pedras no sapato dos clássicos – Ronen Givony comenta
Existe um diretor de programação nos Estados Unidos chamado Ronen Givony, profissional que tem como assinatura pessoal apagar fronteiras entre gêneros musicais e artistas, programando séries que misturam música de câmara com pop alternativo, repertório da idade média com música contemporânea.
Ele inventou uma série de espetáculos chamada Wordless Music, Música sem palavras, que rodou diversos locais de Nova York apresentando essa variedade toda. Givony é diretor do Le Poisson Rouge, uma espécie de cabaré no Greenwich Village novaiorquino que tem, claro, essa cara de misturar gêneros. Uma fórmula de grande sucesso no circuito musical da cidade, que tem servido de inspiração no mundo todo.
Pois esse senhor que observa bem de perto os movimentos do pop e do rock e também está atento ao que de melhor é produzido na música clássica, ele apontou cinco aspectos que causam inflexibilidade nas relações com artistas clássicos e dificultam sua inserção em um circuito mais amplo de música.
Em primeiro lugar, a questão da exclusividade. Ele lembra que é comum realizadores de concerto exigirem exclusividade em uma determinada região e por determinado tempo. O festival de verão de Aspen, nos Estados Unidos, por exemplo, exige que os artistas contratados não se apresentem na região por vários meses. Exclusividade pode ser mesmo um problema, pois dificulta a circulação dos artistas, muitas vezes vindos de outros países e com rara oportunidade de encontrar o público.
Em segundo lugar, Ronen Givony aponta a questão financeira. Cachês de artistas clássicos, especialmente os solistas, são muito altos e têm um valor fixo, não importa a quantidade de público presente. Ele lembra haver solistas que cobram mais de 15 mil dólares por apresentação e isso inviabiliza muitas produções. É mais em conta contratar um artista da música popular, que será mais flexível quanto ao cachê cobrado.
Em terceiro lugar, a questão do timing. O mundo clássico está acostumado a reservar datas na agenda dos músicos com dois ou três anos de antecedência. Isso inviabiliza programações que sejam pensadas com poucos meses de antecedência, que é comum no mundo pop-rock.
Em quarto lugar, Ronen Givony lembra a questão da promoção dos espetáculos. Enquanto os músicos de rock compreendem a extrema importância de divulgar eles mesmos seus espetáculos (seja pela internet ou outros meios), músicos clássicos não assumem esta tarefa, deixando que empresários, divulgares e organizadores de concertos cuidem da divulgação.
Por último, o diretor musical do Poisson Rouge de NovaYork levanta a questão do empreendedorismo. Músicos de rock e pop costumam levantar as mangas e fazer a coisa acontecer, buscar mudanças...o mesmo não costuma aocntecer no mundo dos concertos. Ele cita o caso dos Beatles, dos Sex Pistols.
O discurso de Ronen Givony pode ser um pouco apocalíptico, mas lamentavelmente, tem lá sua razão de ser.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
MEC FM: O amor do Japão pelos clássicos e o programa infantil da NHK
A tragédia sofrida pelo Japão, com terremoto, tsunami e acidente nuclear, é de uma magnitude e uma tristeza únicas. Além das vidas perdidas e ameaçadas, da dor e do luto, da destruição e do medo, acumulam-se prejuízos econômicos, sociais e culturais difíceis de mensurar. O Japão é um dos principais mercados do mundo em termos de consumo de cultura. No que tange à música popular, a brasileira especificamente, os japoneses demonstram uma veneração por João Gilberto & cia que nós mesmos muitas vezes não sentimos. A Bossa Nova é mais tocada e conhecida nos grandes centros urbanos japoneses do que nas rádios de cidades brasileiras.
A música clássica, ponto de interesse de quem, como você ouve a MEC FM, tem no Japão um de seus principais mercados consumidores. Turnês de artistas, montagens de espetáculos, venda de gravações, leitura de revistas especializadas, a presença da música clássica na televisão e no rádio, as animações (chamados de animês ou animes) cuja trama ronda em torno do universo de concertos....japoneses têm uma atitude quase de devoção. É respeito misturado com adoração e reconhecimento, em um tratamento com grande profissionalismo e cuidado. Traços tão marcantes da cultura japonesa presentes também na sua relação com a música clássica. Como o fatídico 11 de março de 2011 atinge o mercado internacional de clássicos? Eis algo que tem sido pouco falado e comentado nos ambientes de discussão de mercado musical, mas certamente o impacto também é grande para o setor.
Neste contexto de perdas e danos japoneses, recebi um DVD enviado pelo ouvinte Luiz Carlos da Silva, da Tijuca. Ele enviou antes do terremoto japonês, mas eu só tive oportunidade de assistir depois da tragédia. O Luiz Carlos já havia me escrito para mencionar que a rede de televisão NHK, do Japão, transmitia um programa interessante de música clássica pra crianças. Pois ele mandou aqui pra rádio um DVD do tal programa, que tem nome em inglês. Chama-se “You gotta quintet”, ou seja, “Você tem um quinteto”. Por não ter legendas e ser falado em japonês, eu não pude compreender exatamente o que se passava. Mas como a música é o personagem principal, deu para perceber a dinâmica da coisa. Os personagens são bonecos tipo marionete, que são manipulados. Cada um toca seu instrumento: tem um violoncelista que é um senhor mais velho, uma violinista tipo trintona que também canta, um clarinetista pela casa dos 40, um trompetista de 20 e poucos que também é percussionista e um pianista, sendo que o pianista é humano, mas tem um boneco igual a ele. Achei incrível a manipulação dos marionetes. O ataque das cordas, o balanço do corpo e da cabeça, é exatamente como um ser humano faria. Quem manipula os bonecos deve tocar instrumentos, a coisa é sincrônica demais. Música clássica é o fundamental do programa, mas também há espaço para música folclórica e tradicional.
Fui pegar informações na internet e fiquei sabendo que o “You gotta quintet”, foi criado em 2004 e foi exibido até março de 2011, tendo lançado vários CDs e DVDs no mercado japonês. Tomara que a descontinuidade do programa não tenha tido qualquer relação com o terremoto.
MEC FM: Festival de Salzurgo desperta para o Brasil e tem muito a oferecer
“O papel da arte é despertar os ouvidos, os olhos, o pensamento humano”. Essa bela frase do compositor italiano Luigi Nonno é uma espécie de lema do Festival de Salzburgo 2011, na Áustria. O evento acontece entre o final de julho e o final de agosto. Realizado na cidade onde Mozart nasceu, é um dos mais tradicionais festivais de música clássica do mundo– quiçá “o” mais tradicional. Sua primeira edição foi lá atrás, em 1870. Sofreu descontinuidades, foi refundado em 1920, teve que ser interrompido nas grandes guerras mundiais e desde 1945 vem sendo apresentado anualmente. Salzburgo traz sempre um mix de óperas – especialmente as de Mozart -, orquestras, recitais e música de câmara. Há também uma programação de teatro.
Quando o programa de Salburgo 2011 chegou pelo correio, veio acompanhado de uma carta assinada por Helga Rabl-Stadler, presidente do festival, e Eva Anzaloni, responsável por desenvolvimento na America Latina. Ao mencionar a frase de Luigi Nonno, a carta acrescentava: “O despertar dos sentidos, a vibração da alma – esta forte e ampla mensagem – é o que dá ao Festival de Salzburgo a força e a energia”. Eu já cheguei a comentar aqui na MEC FM que o festival austríaco estava prestando especial atenção ao Brasil como mercado fornecedor de novos patronos e assinantes. Uma delegação esteve pessoalmente visitando nosso país, no Rio e também em São Paulo. É bom saber que toda a vibração de Salzburgo quer mesmo chegar até aqui. Os organizadores do festival despertaram e querem mais brasileiros que amam a música clássica sentados em suas poltronas assistindo aos espetáculos.
Eu, aqui do meu lado, fico pensando o quanto nós, brasileiros que trabalhamos com clássicos, temos a aprender com a organização de um evento deste tamanho e desta importância. E eu nem me refiro aqui à questão artística e musical, mas sim à questão institucional do papel da música clássica na sociedade e também no estímulo à participação de gente jovem no circuito de concertos. O Festival de Salzburgo tem quatro linhas de ação muito interessantes que poderiam servir de referência para instituições musicais brasileiras.
As assinaturas para jovens – a partir de 2011, o festival disponibiliza assinaturas somente para quem tem menos de 27 anos. São 3 mil ingressos e os descontos chegam a 90% do preço cheio. Programa Jovens amigos do Festival – em Salzburgo, há um programa especial voltado para fidelizar jovens frequentadores. Se o festival tem um forte quadro de apoiadores mais velhos que banca parte de seus gastos, tem também um programa de patronato voltado para os jovens. Colônia de férias musical – essa é uma ótima ideia. Oferecer atividades para crianças entre 9 e 16 anos, todas relacionadas com a produção de uma ópera, sendo que a garotada monta seu próprio espetáculo e ainda assiste a uma montagem do festival. Por último, um programa chamado Juventude, Arte, Ciência, voltado a alunos de faculdades de ciências naturais e música, estimulando a discussão de pontos comuns entre criatividade e inovação na arte, na música e na ciência. Ah, sim, uma ultima coisa sobre o Festival de Salzburgo 2011. Meu coração brasileiro bateu mais forte ao constatar que o programa do recital do violoncelista Yo-Yo Ma tem duas músicas de Egberto Gismonti, em um repertorio que tem também Shostakovich, Schubert e Cesar Franck. É bonito saber que Gismonti será tocado na casa de Mozart.
MEC FM: Como apresentar os clássicos à Geração Y?
Você já ouviu falar na “Geração Y”? É uma faixa geracional que compreende os nascidos entre 1980 e 2003, ou seja, os mais velhos têm cerca de 30 anos e os mais novos nem chegaram ainda à primeira década de vida. O termo “Geração Y” foi cunhado nos Estados Unidos, país que tem uma longa tradição de pesquisas sociais e de comportamento. Mas se aplica também ao Brasil, respeitadas diferenças regionais e culturais. Dentro dessa faixa, , digamos assim, a sub-faixa da Geração Y que tem chamado maior atenção é a de quem está entre os 18 e os 30 anos. São os que estão no mercado de trabalho e, por estarem inseridos de forma ativa na corrente econômica, tendem a eles próprios ditarem os comportamentos e as regras do mercado como um todo. Assim como muitos outros setores da sociedade, a música clássica se beneficiará na medida em que estiver atenta ao perfil de comportamento destes jovens.
Quem são eles e como se comportam? É importante, antes de tudo, considerar ser esta uma geração nascida em famílias não mais presas ao formato padrão pai-mãe-filhos todos juntos. O fato de crescer em famílias de pais separados possibilitou que, pai de um lado e mãe do outro, os filhos acabassem recebendo, no final das contas, atenção maior. Isso gerou jovens para quem o senso de importância individual é muito significativo e cujos pais estão muito presentes, seja financeiramente, seja no aconselhamento. Ao mesmo tempo em que existe um individualismo evidente, a Geração Y apresenta uma profunda consciência social, preocupação com o meio ambiente e os direitos humanos. É uma geração crescida na era digital, nasceu com computador em casa. São mestres em multitarefas, em fazer várias coisas simultâneas. Pesquisa nos EUA comprovou que 40% dos jovens da Geração Y usam a internet e vêem TV ao mesmo tempo. Mas, para eles, a tecnologia é encarada como um facilitador da vida analógica. Os resultados têm que vir rápido e mudanças são sempre bem-vindas.
A que a música clássica deve estar atenta para se relacionar melhor com estes jovens entre 18 e 30 anos distantes da cultura de concertos? Como se posicionar e o que oferecer? Tenho alguns pontos a levantar nesta reflexão. Se estamos pisando no terreno do individual e do customizado, seria bom oferecer possibilidades de contato com a música clássica atendendo necessidades individuais. Se a comunicação digital é algo essencial, é bom haver conteúdo produzido especificamente para os meios digitais, internet, redes sociais, sms, celular. Se eles não estão presos a horários fixos – esta geração gosta, por exemplo, de assistir a seus programas de TV favoritos na internet, no horário que desejarem e não ficam presos ao horário de exibição – se a liberdade de horário é uma questão, é bom considerar isso.
Se é uma geração que valoriza compromisso social, é um bom momento para apresentar a eles os aspectos da música clássica como construtora de cidadania. Se eles valorizam atenção personalizada e feedback, é bom encontrar formas de chamá-los pelo nome, de conhecer suas expectativas e, por exemplo, criar canais de continuar o relacionamento após o concerto ter acontecido. Também é importante ouvi-los antes de criar projetos que sejam só para eles. Engajá-los será sempre relevante. Se os amigos são fator de grande motivação – a Geração Y é capaz de preferir um emprego que deixe mais próximo das amizades – então é bom pensar em oferecer programas em que grupos de amigos possam participar.
Apresentar a música clássica à Geração Y considerando tantos aspectos parece ser complicado, mas pode trazer muitas recompensas. O importante é começar.
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